Relendo minhas únicas postagens no último sábado (25/09) foi que me dei conta do tempo que separa o dia de hoje daqueles marcantes dias de janeiro de 2007. Sou capaz de recordar cada emoção vivida ao escrever aquelas palavras e mais ainda, a emoção maior que me levou a escreve-las....Mas o tempo é implacável e leva tudo aquilo que não é verdadeiro, ou melhor, movimenta tudo aquilo que está parado e comigo não foi diferente. Como uma avalanche levou os sonhos engavetados, as esperanças que jaziam na expectativa de que alguém realizasse por mim o sonho maior. E assim caí, uma queda lenta e solitária que me deixou face a face com meu maior fantasma. Descrente me recolhi, receoso, me ausentei da vida acreditando que sofreria menos se me poupasse mais. Erro brutal e infantil...vi meus sonhos sendo arrastados e sequer tive forças para reuní-los. Na queda me desfiz, e lentamente comecei a reunir meus cacos que se espalharam no chão de minha existência, num processo quase "interminável" de reconstrução.
E o mesmo tempo que levou meus sonhos...restaurou minha força...uma força inicial na forma de palavras presentes em minhas leituras matinais. Tudo falava sobre mim...Paulo Coelho, Augusto Cury, Irvin Yalom, Pe. Fábio de Melo e muitos outros me colocavam diante das feridas ainda não cicatrizadas, mas foi Rubem Alves quem soube perfeitamente descrever o que se passava em minha alma. E assim, olhei ao longe e avistei uma luz, já não estava mais imerso em minha própria escuridão. Das páginas dos livros passei para os filmes em dvd...e essa viagem me levou mais ao fundo ainda de mim mesmo, agora com um novo olhar encarei meus fantasmas e busquei nas reflexões o impulso necessário para me fortalecer, me reinventar e mais que isso, redescobrir meus sonhos.
E assim, me dei conta de que o tempo que me levou e me resgatou, também me modificou...E hoje sou a soma de minhas experiências, da certeza daquilo que busco e acredito.
Finalizo com um trecho de uma velha canção:
..."O tempo passa e nem tudo fica, a obra inteira de uma vida. O que se move e o que nunca vai se mover"...(Sobre o Tempo - Nenhum de Nós)
terça-feira, 28 de setembro de 2010
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